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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Indústria do petróleo leva 50 mil estrangeiros ao Brasil em três anos

Indústria do petróleo leva 50 mil estrangeiros ao Brasil em três anos



Atualizado em  22 de abril, 2013 - 05:21 (Brasília) 08:21 GMT

Funcionário faz manutenção em plataforma de petróleo Foto Agência Petrobras
Setor petrolífero lidera pedido de vistos para estrangeiros no Brasil

O crescimento da indústria petrolífera no Brasil, aquecida com as recentes descobertas de petróleo e gás nos últimos anos, está fazendo com que o Brasil "importe" um número cada vez maior de estrangeiros com alta qualificação para trabalhar no setor.
Um levantamento feito pela BBC Brasil com a Coordenação Geral de Imigração (CGIg), que faz parte do Ministério do Trabalho em Emprego (MTE), mostra que 49.801 profissionais de países como a Grã-Bretanha, Estados Unidos, Noruega, Holanda e França entraram no Brasil entre 2010 e 2012 para trabalhar no setor de petróleo e gás.
O número, que é o mais recente divulgado pelo MTE, coloca o setor petrolífero na liderança da emissão dos vistos para estrangeiros no país, o que representa 25% de todas as permissões de trabalho temporárias e permanentes no período, dentro de uma abrangência de 15 atividades econômicas diferentes.
Em 2011, a atividade petrolífera registrou um boom com a contratação de mais de 23 mil engenheiros e técnicos da área de petróleo e gás, dado que é quase dez vezes maior ao registrado em 2006, quando apenas 2.645 profissionais de outros países entraram no Brasil para atuar em empresas do setor.
Apesar de indicar uma pequena desaceleração, o ano de 2012 viu quase 17 mil permissões de trabalho sendo concedidas nas áreas ligadas ao petróleo (veja gráfico).
Para o superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Paulo Buarque de Macedo Guimarães, o trabalho de estrangeiros na indústria petrolífera brasileira está diretamente ligado à falta de mão de obra brasileira qualificada para atuação no setor.

O que os estrangeiros fazem no Brasil

Infra-estrutura: para a exploração e refino de óleo e gás, atividade que envolve a construção de plataformas de petróleo e sistema de dutos.
Engenharia naval: construção e manutenção de navios de prospecção e transporte de petróleo e gás.
Pesquisa: para identificar os potenciais campos de exploração, com estudos geológicos, por exemplo.
Pré-sal: para ajudar o Brasil a desenvolver tecnologia para perfuração a mais de 2 mil metros de profundidade em camadas de sal.
Fonte: CGIg/MTE

"A demanda por profissionais qualificados no setor petrolífero é um assunto que nos preocupa há muito tempo", disse ele à BBC Brasil.
"O fato de estrangeiros estarem repondo os brasileiros nesse mercado não é bom para a economia."
"Uma empresa chega a pagar, além do salário, mais de US$ 100 mil para manter um profissional estrangeiro e sua família no país. Seria muito mais competitivo contratar um profissional brasileiro, que está criticamente em falta no País", disse Guimarães à BBC Brasil.

Pré-sal

A entrada de estrangeiros para atuarem no setor teve um pico em 2011, quando começaram os diversos projetos da Petrobras para criar a infraestrutura para exploração do chamado pré-sal, porção do subsolo que se encontra sob uma camada salina situada alguns quilômetros abaixo do leito do mar.
A assessoria da Petrobras confirmou à BBC Brasil que prevê investimentos de US$ 53,4 bilhões no pré-sal para o período entre 2011 e 2015. Somente nas áreas de cessão onerosa (áreas que o governo concedeu à Petrobras – Lei 12.276/2010) serão investidos US$ 12,4 bilhões.
Com isso, a participação do pré-sal na produção brasileira de petróleo deve passar dos atuais 2% em 2011 (dado mais recente disponível) para 18% em 2015 e para 40,5% em 2020.
Foto Agência Petrobras
Navio em testes antes de seguir para bacias do pré-sal
Apesar de liderar a demanda por profissionais estrangeiros da área petrolífera, a Petrobras não contrata diretamente estes profissionais.De acordo com a legislação brasileira, que rege a estatal, não é permitida a participação de estrangeiros nos processos seletivos públicos da empresa. Somente brasileiros ou portugueses que tenham adquirido o direito de morar e viver no Brasil participam dos concursos.
A Petrobras terceiriza a contratação de profissionais estrangeiros. Estes trabalham para empresas brasileiras ou estrangeiras.
O engenheiro francês Guillaume Pringuay, que trabalha para a multinacional Technip, é um dos estrangeiros que está ajudando o Brasil a desenvolver a tecnologia para exploração petrolífera em bacias de grande profundidade, em parceria com a Petrobras.
Entre os anos de 2009 e 2012, ele trabalhou especificamente com projetos para familiarizar engenheiros brasileiros com a tecnologia para operações em águas profundas.
"Fizemos um trabalho muito grande de troca de experiências com os brasileiros. Os engenheiros no Brasil ganharam excelente experiência nos últimos anos, mas infelizmente eles ainda são poucos para a grande demanda da exploração em grande profundidade", disse Pringuay em entrevista à BBC Brasil.
Foto Technip
Guillaume Pringuay, engenheiro francês no Brasil
Para ele, os desafios da prospecção de petróleo em profundidades acima de 2 mil metros ainda vai exigir que o Brasil continue trazendo profissionais estrangeiros nos próximos anos.
"Ainda haverá, por algum tempo, a necessidade do Brasil trazer engenheiros do exterior para suprir a demanda da exploração de águas profundas. Já habilitamos a tecnologia para prospecção em até 2.500 metros de profundidade no Brasil, mas ainda precisamos de mais gente trabalhando nisso", explicou o engenheiro francês.
Os especialistas em recursos humanos confirmam a tendência de mais contratações de estrangeiros na área petrolífera do Brasil.
"Na área naval, por exemplo, vemos muitos profissionais da Filipinas e até de países nórdicos (trabalhando no Brasil)", disse a BBC Brasil Agilson Valle, diretor da Talent Boutique, uma consultoria de RH especializada na busca de profissionais que queiram trabalhar na América Latina.
"Começamos a ver também muitos profissionais de outros países produtores na América Latina, como Colômbia, Venezuela e México. Mas nesse setor os profissionais ficam por menos tempo no país ou em contratos de rotação."
Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em Londres

Governo quer trazer 6 milhões de estrangeiros para trabalhar no Brasil

Governo quer trazer 6 milhões de estrangeiros para trabalhar no Brasil
22 de abril de 2013 •
Camilla Costa
 

Uma nova estratégia de "atração de cérebros" poderá trazer cerca de 6 milhões de profissionais estrangeiros para o Brasil nos próximos anos, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo.


Com o auxílio de grupos de especialistas e consultorias de mercado, a secretaria quer desenvolver uma política de atração de profissionais - o número, no entanto, não inclui imigrantes de baixa qualificação e, sim, profissionais altamente qualificados que possam atender a demanda atual da economia brasileira.


"Ainda não é uma proposta fechada do governo, mas é a nossa meta atual", disse o ministro-chefe interino da SAE Marcelo Neri à BBC Brasil. "Imigrantes qualificados são o foco do esforço. Não é uma política geral de imigração, é uma estratégia de atração de cérebros."


Neri afirmou que a estimativa de 6 milhões foi feita depois de levantamentos de uma comissão de especialistas e de pesquisas com as empresas e o público em geral.


Segundo Neri, o Brasil é um dos países com a menor proporção de imigrantes na população, o que reflete "um fechamento do País ao fluxo de pessoas". Os estrangeiros representam hoje 0,2% da população. Com a adição de seis milhões nos próximos anos, este percentual subiria para cerca de 3%.


Para Neri, esse "fechamento" deve ser revertido para responder à demanda crescente por profissionais altamente qualificados, especialmente na áreas de engenharia e saúde.


Mas sindicatos nacionais temem que trazer mão de obra de fora prejudique a força de trabalho doméstica - que, de acordo com eles, é suficiente em termos numéricos, mas precisa de valorização e melhor qualificação.


Neri afirma que a nova estratégia "leva em conta a necessidade atual de mão de obra qualificada, mas mantém o cuidado com o trabalhador brasileiro".


"Não é uma abertura de porteira. Trazer profissionais altamente qualificados cria associações mais fortes, cria mais massa crítica, se aprende muito com outros profissionais."


'Apagão de mão de obra'
A expressão "apagão de mão de obra" é usada com frequência por analistas de mercado nos últimos anos para se referir a uma suposta escassez de profissionais altamente qualificados no Brasil.


De acordo com a Pesquisa de Escassez de Talentos 2012 da consultoria internacional Manpower Group, o Brasil é o segundo país do mundo em dificuldade para preencher vagas, atrás apenas do Japão. A falta de candidatos disponíveis e a falta de especialização são apontadas por empresários como as duas principais razões do problema.


Mas, em 2011, um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) negou a existência de um "apagão" no topo da pirâmide de profissionais brasileiros.


"O verdadeiro apagão de mão de obra está na base, na mão de obra pouco qualificada, que é onde os salários estão subindo mais", diz o ministro Marcelo Neri, que é também o presidente do Ipea.


O ministro, no entanto, afirma que nos últimos anos algumas áreas de especialidade começaram a dar sinais de que a oferta de profissionais domésticos não seria suficiente para atender ao mercado em crescimento do País.


"(Entre os profissionais qualificados) você não tem um apagão completo, mas você tem áreas mais sombreadas do que outras. O fato é que o mercado de trabalho em 2012 e 2013 se aproxima do que se pode chamar de um apagão. A luz ficou mais fraca."


Um levantamento da Brasil Investimentos e Negócios (Brain) - consultoria que realiza pesquisas sobre a inserção do Brasil no mercado internacional e colabora com a SAE - afirma que medicina, engenharia civil, engenharia química e arquitetura são éreas em que o País precisa de mais profissionais do que os disponíveis.


"Independentemente da política realizada para a educação, não vamos ter resultados imediados. O resultado de políticas públicas acontece em duas ou três gerações", diz André Luiz Sacconato, analista da Brain.


"Existe um buraco entre os resultados de políticas e o que o Brasil necessita hoje. Os imigrantes viriam para suprir essa lacuna."


Outro benefício, de acordo com a Brain, são os empregos criados a partir da importação de profissionais. Cada profissional estrangeiro empregado no Brasil poderia gerar entre 1,3 e 4,6 empregos para brasileiros.


"Temos claramente obras paradas porque não tem engenheiro civil. Quando se coloca um engenheiro civil lá, se gera emprego para mestres de obras e outros. Isso é bom para a economia", afirma Sacconato. "É algo complicado, vai mexer com sindicatos e associações de classe. Mas não queremos tirar o emprego de ninguém, são empregos complementares."


Discordâncias
Atualmente, segundo o Ministério do Trabalho e consultorias, a maior parte dos estrangeiros que obtém o visto de trabalho brasileiro são profissionais qualificados para as indústrias de extração de petróleo e construção civil - especialmente obras de infraestrutura.
Mas o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros, Murilo Pinheiro, questiona que haja falta de engenheiros locais para atender à demanda.


"A demanda por profissionais nessas áreas realmente aumentou, mas não está faltando. Se for preciso trazer um engenheiro de uma matéria que não existe aqui, (a importação) é de fato interessante, mas não entendo a necessidade de trazer amplamente engenheiros civis", disse Pinheiro à BBC Brasil.


O presidente da Federação Nacional dos Arquitetos, Jeferson Salazar, afirma que apesar da demanda, o setor público não absorve a quantidade de profissionais que chegam ao mercado a cada ano - cerca de 7 mil.


"Nos últimos 25 anos, o número de escolas no Brasil cresceu 6 vezes. A quantidade de jovens arquitetos com subemprego ou desempregados no País é imensa e o governo não tem nenhum plano para utilizar esse exército de mão de obra", disse à BBC Brasil.


"Sou a favor da vinda de alguns profissionais qualificados que possam contribuir com o desenvolvimento da arquitetura no Brasil. Esses profissionais serão bem-vindos se trouxerem contribuições."


A medicina, segundo Marcelo Neri, é a área que mais se enquadra na ideia de um apagão de mão de obra, a julgar pelos indicadores de mercado.


Entretanto, o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, afirma que o número atual de profissionais no Brasil - cerca de 1,9 médico para cada mil pessoas - é capaz de atender o mercado nacional, na condição de que sejam criadas melhores estratégias de distribuição de profissionais e planos de carreira no setor público.


"A presidente está fazendo o planejamento estratégico de elevar o número para 2,4 médicos para mil habitantes. Realmente, para atingir isso hoje, faltam médicos. Mas se o planejamento é para atingir essa meta em 2020, nossa avaliação é diferente da do governo, que trabalha com a ideia de que teríamos que importar médicos", disse Ferreira à BBC Brasil.


"Com o lançamento de 17 mil médicos por ano no mercado, acreditamos que teríamos isso, sim. O que precisamos é melhorar a atratividade do setor público no Brasil para mantê-los lá. Injetar profissionais não vai necessariamente resolver os problemas", disse à BBC Brasil.


Campanhas para atrair médicos estrangeiros para o setor público já existem em diversos Estados brasileiros.


Visto rápido e mais seleção
A estratégia mais bem cotada pela SAE para atrair profissionais para o Brasil é a adoção do sistema de pontos, utilizado por países como Austrália, Canadá e Grã-Bretanha.


O sistema confere quantidades diferentes de pontos às respostas do potencial imigrante em um questionário.


André Luiz Sacconato, analista da Brain, diz que o sistema pode ser uma opção beneficie empresas e proteja o trabalhador brasileiro de uma "invasão" de profissionais.


"Ele limita a entrada ao que se precisa, já que você pode dar poucos pontos para determinadas profissões, idades ou experiências que não são desejadas pelo país", defende.


O ministro Marcelo Neri diz que a SAE não cogita criar uma lista de profissionais em demanda, que também é utilizado por estes países juntamente com o sistema de pontos.


Atualmente, os vistos de trabalho para o Brasil são vinculados à contratação por uma empresa no país. Em 2012, mais de 73 mil vistos foram emitidos.


Agilizar o processo de obtenção do visto é um dos pilares da estratégia da SAE. De acordo com a Brain, o processo brasileiro requer 19 documentos diferentes - são 8 no Canadá, 12 na Grã-Bretanha e 13 na Austrália.


A espera para a emissão do visto brasileiro também é uma das maiores - são 45 dias em média, contra 15 dias na Grã-Bretanha e 21 dias na Austrália.

BBC Brasil

domingo, 24 de março de 2013

Mundo ao revés: América Latina é destino favorito de emigrantes espanhóis

O cenário se inverteu desde começo da crise econômica em termos de migração, segundo o instituto de estatísticas do país





A Espanha, país que até poucos anos era o destino das novas oportunidades para milhares de latino-americanos, hoje sofre um duro revés econômico e como consequência deixa de ser o Eldorado dos que buscam outros rumos. Segundo as atuais cifras divulgadas pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) do país, o quadro mudou em termos de migração, com um aumento, em 2012, de 6,3% da população espanhola que reside no exterior.

Cerca de dois milhões de espanhóis decidiram tentar a sorte em novos destinos, segundo dados do PERE (Padrão de Espanhóis Residentes no Exterior) divulgados em março. Esta estatística mostra que o destino de maior preferencia dos ibéricos é a América Latina. As cifras incluem espanhóis de dupla nacionalidade, às quais se somam os casos de pessoas que foram à Espanha e obtiveram a nacionalidade, mas decidiram deixar o país.

A publicitária equatoriana-espanhola Silvia Marcos, de 25 anos, engrossa as cifras apresentadas pelo instituto de estatísticas ibérico. Silvia foi morar na Espanha quando era criança, devido ao trabalho dos pais. Acerca de sua dupla nacionalidade, esclareceu ao Opera Mundi que como seus pais foram trabalhar no país, esta foi concedida em uma “questão de tempo, ao contrário do que acontece em outros países da Europa”. “Foi fácil”, garantiu.

Arquivo pessoal

Silvia: "O que vivemos no Equador entre 1998 e 1999, e na Argentina em 2001, agora está acontecendo com os europeus”

Com relação ao número de imigrantes latino-americanos na Espanha, Silvia lembra que, quando chegou, quase não tinha equatorianos morando no país. “Os espanhóis nem sabia onde ficava o Equador, e em alguns anos os equatorianos passaram da sexta maior imigração na Espanha para a segunda, depois dos marroquinos.”

Frente à pregunta de por que decidiu sair da Espanha, Silvia conta que morava em uma cidadezinha. “Se eu não saísse de lá, teria que fazer a mesma coisa a vida inteira, então decidi ir para Buenos Aires”, conta, explicando que o motor de sua mudança não foi a crise que assola o país europeu, mas que “já não voltaria”, já que para ela a Espanha vive “uma situação muito complicada”.

Quanto às cifras que apresentam a América Latina como o lugar predileto dos espanhóis que procuram novos rumos, Silvia corrobora que vê “um montão deles” na Argentina. “No Equador não via muitos, mas nos últimos anos se percebe uma mudança”, explica.

Quando questionada sobre a razão desta emigração, ela diz que “agora a situação se inverteu, o sistema de lá colapsou”. “O que vivemos aqui no Equador entre 1998 e 1999, e na Argentina em 2001, agora está acontecendo com eles”, analisa.

A atriz espanhola Lucía Echeveste Andreotta, de 32 anos conta, por sua vez, que sua motivação para morar na Argentina foi de dois tipos: uma de caráter profissional, já que Argentina tem um elevado nível no ramo. “A maioria dos professores de teatro na Espanha são argentinos”, sinaliza. A segunda foi de caráter familiar, já que sua mãe é argentina e, portanto, viajava ao país desde pequena. “Estar aqui é me sentir em casa”, diz.

Para Lucía, muitos imigrantes espanhóis na Argentina não consideram o país como um lugar para ficar definitivamente. “Eles pensam em voltar para a Espanha”, revela, esclarecendo, no entanto, que “devido à crise, perderam seus trabalhos [na Espanha]” e planejam ficar na Argentina por três ou quatro anos”.

Arquivo pessoal

Para Lucía Andreotta, os espanhóis estão passando pelo que muitos latino-americanos tiveram que viver quando foram à Espanha

Segundo a atriz, as cifras de emigração dos espanhóis para a América Latina são evidentes. “Sinto que eles têm o discurso de que ficariam na Espanha, se sentissem que têm oportunidade de trabalhar no que querem, mas como não resta opção e seus direitos estão sendo cortados por todos os lados, sentem-se obrigados a ir embora, basicamente porque a Espanha, nesse momento, está uma merda”, expressa, afirmando que esta é a impressão transmitida nas redes sociais.

Lucía conta que também optou pela Argentina porque o idioma tem um papel fundamental e as afinidades culturais “também ajudam muito”. Para um espanhol, o latino-americano é “o mais próximo que podemos sentir fora da Espanha”, confessa, complementando que “a grande quantidade de espanhóis e italianos que migraram em outras gerações, faz com que tenham um carinho especial com a gente”.

Quanto a situação legal dos que se mudam, Lucía diz que “agora muitos espanhóis estão comprovando ou vivendo o que muitos latino-americanos tiveram que passar quando foram para a Espanha”. Segundo ela, “a questão dos papéis, de poder estar no país e trabalhar legalmente é o ponto mais complicado”, diz, apontando que, no entanto, quanto a isso, “a Espanha continua igual, só que agora ninguém quer ir para lá”.

Para Lucía, a Argentina não é o país mais complicado para se obter a residência. A atriz conta que soube de casos de espanhóis que quiseram entrar no Brasil, mas que por não ter toda a documentação necessária, não conseguiram. Isso porque o país sul-americano optou por uma política de reciprocidade com a Espanha, o que faz com que exijam aos espanhóis que queiram ir ao país as mesmas coisas requeridas a um brasileiro que vai para a Espanha.

Com relação às cifras que mostram a quantidade de espanhóis na Argentina, Lucía mostra incredulidade, afirmando que as multiplicaria por três ou quatro. “Há muitos espanhóis que estão aqui na qualidade de turista há um ou dois anos, mas em uma realidade totalmente diferente”, explica.

Mais dados

A América Latina está na primeira posição no ranking de destino dos espanhóis, com 62,9%, das pessoas registradas no exterior que declaram sua residência fora da Espanha. Em segundo lugar figura a Europa, com 34%, e cerca de 3% para outras regiões.

É com esta mesma proporção que se encontram os maiores índices de crescimento migratório. A América recebeu 81.757 espanhóis durante um ano, número ao que se somam o 1,2 milhão que tinham sua residência registrada no continente. A Europa, por outro lado, também mostra um crescimento, ainda que de apenas 4,53% em relação ao ano anterior.

De acordo com as cifras entregues, somente 34% dos espanhóis residentes no exterior nasceram na Espanha e 59% é natural do país onde reside atualmente. Entre as faixas etárias, são mais significativas as migrações de espanhóis entre 16 e 60 anos, com 62,4%, e com 23,1% entre os ibéricos com mais de 65 anos.

Os países estrangeiros que contam com maior quantidade de emigrantes espanhóis são a Argentina (385.388), a França (206.589) e a Venezuela (183.163).

sábado, 23 de março de 2013

UFMG abre inscrições para revalidação de diplomas estrangeiros

 

Não há restrição a qualquer instituição estrangeira de ensino superior

             
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abriu nesta segunda-feira as inscrições para revalidação de diplomas de graduação estrangeiros. Serão aceitos diplomas diplomas de todas as instituições estrangeiras de ensino superior, sem limitação de número de inscritos por curso, de acordo com a universidade. As inscrições podem ser feitas até 11 de abril pelo site da Pró-reitoria de Graduação (Prograd).

O edital inclui os 52 cursos reconhecidos na UFMG, inclusive Medicina. A documentação do processo deve ser enviada à instituição entre 12 e 19 de abril. A lista com os documentos exigidos pode ser conferida aqui.

A UFMG dispensa a autenticação em cartório e a tradução juramentada da maioria dos documentos. A previsão da universidade é que o parecer conclusivo seja emitido em até seis meses após a recepção dos documentos relativos ao processo.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Prograd/UFMG

sábado, 16 de março de 2013

Brasil atrai número crescente de estrangeiros para pós-graduação

Rio de Janeiro é uma das cidades que mais atraem os estudantes.
Movimento da economia e eventos aumentaram a visibilidade do Brasil.

Cresce o número de estrangeiros que vêm para o Brasil fazer pós-graduação. O Rio de Janeiro é uma das cidades que mais atraem os estudantes.
Um lado da cidade que não aparece no cartão postal se tornou um atrativo para estrangeiros que escolheram o Brasil pra estudar. Eles chegam em número cada vez maior, para aprender sobre setores onde o Rio de Janeiro se destaca, como óleo e gás, e também para fazer mestrado profissional em áreas como administração.
“O foco desses programas, principalmente do MBA internacional, é traduzir para o expatriado o ambiente de negócios brasileiro”, diz Alvaro Bruno Cyrino, vice-diretor da EBAPE/FGV.
Pierre-François Brunet está no Rio há seis meses, e acredita que seu futuro pode ser no Brasil. “Eu gostaria de trabalhar no comércio internacional. Então tem empresas francesas que já estão aqui no Brasil”, afirma.
Na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, o aumento do número de estrangeiros nos MBAs foi expressivo: mais de 60% nos últimos dois anos.  Crescimento que o Ministério da Educação comprova: no ano passado, 1.576 bolsistas de fora do país fizeram pós-graduação no Brasil, 41% a mais que em 2011.
O movimento da economia, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, juntos, aumentaram a visibilidade do Brasil no exterior. Por isso mesmo, o Rio de Janeiro foi a cidade brasileira escolhida pela Universidade de Columbia, de Nova York, para receber um centro de intercâmbio em pesquisa.
Os chamados Global Centers da Columbia já existem em outras cidades importantes do mundo. Para o diretor do novo centro carioca, a aposta tem tudo para dar certo. “Como serão esses espaços urbanos do futuro, o campo de experimento, o laboratório, é aqui em cidades como o Rio de Janeiro”, afirma Thomas Trebat.
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sexta-feira, 15 de março de 2013

Governo avalia política de trabalho estrangeiro no Brasil

        

Agência Estado
Publicação: 14/03/2013 08:44 Atualização:

O Conselho Nacional de Imigração, vinculado ao Ministério do Trabalho, oficializou nesta quinta-feira a criação da comissão especial que vai estudar o atual modelo de ingresso de profissionais estrangeiros ao Brasil e propor ações para atrair mão de obra qualificada. O grupo, que já havia sido anunciado pelo governo em fevereiro, tem até 30 de junho para apresentar as propostas e o resultado dos estudos.
 
 
Uma das áreas que a comissão deve focar é a revisão do sistema de vistos de trabalho para verificar se está de acordo com a demanda do mercado brasileiro. A tendência é flexibilizar a entrada de profissionais estrangeiros qualificados de acordo com os interesses do país.

Criada por resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira, a Comissão Especial para Estudo do Sistema Brasileiro de Imigração Laboral Qualificada, será composta por conselheiros titulares ou suplentes, sendo admitida a participação de observadores, indicados pelas respectivas bancadas de governo, de trabalhadores, de empregadores e da sociedade civil. A coordenação do grupo é de responsabilidade dos ministérios do Trabalho, da Justiça e das Relações Exteriores.

domingo, 10 de março de 2013

Brasil sobe na lista global de investimento estrangeiro




Agência Estado
Publicação: 04/03/2013 09:11 Atualização:

Em uma década o Brasil subiu 11 degraus no ranking dos destinos globais de investimentos estrangeiros diretos (IED). Em 2003 o País era o 15º na lista e no ano passado passou ao quarto lugar, atrás apenas de Estados Unidos, China e Hong Kong. A fatia brasileira nos fluxos de investimento foi a que mais cresceu no mundo, de 1,7% em 2003 para 5% em 2012.

O perfil do IED por aqui mudou nos últimos cinco anos, como mostra estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet). Houve crescimento na proporção relativa ao setor de petróleo e um recuo na fatia setor de serviços, que ainda lidera a preferência do capital externo em investimentos brasileiros. Mas, a tendência é que o setor retome espaço com o empenho do governo nas concessões de infraestrutura.

A análise da Sobeet foi baseada em dados do Banco Central e da Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento). O levantamento dividiu a década em dois períodos: 2003-2007 e 2008-2012. Os setor de serviços viu sua fatia no bolo cair de 51,8% para 42,1% nos últimos cinco anos.

Os setores de telecomunicações, energia elétrica e saneamento foram os mais afetados. No caso das operadoras, os ingressos de IED despencaram de 10,3% para 2,7%. Para Luis Afonso Lima, economista da Sobeet, a explicação é que houve forte concentração de investimentos logo após as privatizações, no fim dos anos 90.

Composto por agropecuária e extrativismo mineral, o setor primário atraiu mais investimentos no último quinquênio, puxado pela extração de petróleo. O porcentual do setor petrolífero nos fluxos de IED saltou de 8,2% para 18,9% na média dos dois períodos. O incremento reflete aportes de rodadas de petróleo concluídas no início dos anos 2000, já que os investimentos pesados costumam ocorrer cinco anos após os leilões.

Apesar da perda de competitividade nos anos recentes, a indústria brasileira não viu seu porcentual de atração de IED ser significativamente alterado. Houve uma perda de apenas 1,2 ponto porcentual do período 2003-2007 (38,6%) para o período 2008-2012 (37,4%).

A Sobeet aponta que a atração de IED para o Brasil nos últimos dez anos foi ao menos parcialmente influenciada por políticas públicas voltadas a atividades consideradas estratégicas em diferentes momentos.